Israel acelera demolições de casas palestinas na Cisjordânia e obriga moradores a destruírem próprios lares
Israel intensifica demolições de residências palestinas na Cisjordânia ocupada, obrigando moradores a destruírem suas próprias casas para evitar multas milionárias. Prática é denunciada como 'tortura psicológica' e 'limpeza étnica' por organizações de direitos humanos. Em 2025, ao menos 1.267 estruturas foram demolidas sob alegação de construções 'ilegais'.
Coerção e trauma: palestinos são forçados a demolir próprias casas
Na Cisjordânia ocupada, especificamente em bairros como Silwan, em Jerusalém Oriental, palestinos enfrentam uma realidade brutal: a obrigação de demolir suas próprias residências sob ameaça de multas que podem ultrapassar dezenas de milhares de dólares. A prática, classificada por organizações de direitos humanos como 'tortura psicológica', expõe a vulnerabilidade extrema dos moradores, que muitas vezes não têm para onde ir após a destruição. Um morador de Silwan, que preferiu não se identificar, relatou à RFI o trauma de derrubar o andar superior de sua casa com a ajuda dos filhos. 'Minhas lágrimas caíam enquanto eu fazia isso. Há coisas que a gente sente por dentro e não consegue expressar. Passei dias sem conseguir comer. Estamos no limite', afirmou. No térreo da mesma casa, ainda vivem cinco familiares, incluindo uma mãe de 97 anos, deslocada três vezes desde 1948, e um filho de 35 anos com autismo. A ONG israelense B’Tselem registrou ao menos 1.267 estruturas demolidas em 2025, a maioria sob a alegação de ausência de licenças de construção, praticamente inacessíveis para palestinos em áreas sob controle israelense.
Denúncias de limpeza étnica e violações de direitos humanos
A prática de obrigar palestinos a demolirem suas próprias casas é amplamente condenada por organizações internacionais. A ONU e grupos como a B’Tselem denunciam a medida como parte de uma estratégia de 'limpeza étnica', visando deslocar populações palestinas de áreas cobiçadas por Israel. As demolições ocorrem majoritariamente em Jerusalém Oriental e na Área C da Cisjordânia, regiões sob controle militar israelense. Além do trauma psicológico, as famílias enfrentam a perda de seus bens e a incerteza sobre o futuro. Muitos são forçados a viver em condições precárias ou a se mudar para áreas ainda mais densamente povoadas, agravando a crise humanitária na região. A alegação de construções 'ilegais' é contestada por defensores de direitos humanos, que apontam a dificuldade deliberada imposta por Israel para a obtenção de licenças de construção por palestinos.