Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de 'Pantanal' e 'Terra Nostra', aos 95 anos
O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, responsável por novelas icônicas como 'Pantanal', 'O Rei do Gado' e 'Terra Nostra', morreu nesta terça-feira (7) em São Paulo. Internado no Hospital do Coração (HCor), ele deixa um legado de tramas rurais, protagonistas de forte caráter e embates com a censura durante a ditadura militar. Suas obras exploraram a diversidade cultural brasileira, com destaque para a imigração italiana e conflitos sociais no campo.
Trajetória e legado na televisão
Benedito Ruy Barbosa nasceu em 1931 em Gália, interior de São Paulo, e iniciou sua carreira como revisor no jornal 'Estado de S. Paulo'. Sua estreia como roteirista ocorreu com a adaptação teatral do romance 'Fogo Frio', premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Ao longo de cinco décadas, escreveu novelas que se tornaram marcos da teledramaturgia brasileira, como 'Meu Pedacinho de Chão' (1971), 'Cabocla' (1979), 'Paraíso' (1982), 'Pantanal' (1990), 'O Rei do Gado' (1996) e 'Terra Nostra' (1999). Suas tramas eram marcadas por personagens de 'bom caráter, determinação para a luta e crença em valores positivos', conforme definiu o próprio autor.
Conflito com a censura e obras emblemáticas
Em 'Meu Pedacinho de Chão', Benedito Ruy Barbosa enfrentou a censura do regime militar ao retratar um maestro cantando o hino nacional em uma venda de beira de estrada. A cena foi inicialmente vetada sob a alegação de que o hino não poderia ser executado em tal ambiente. Após protestos do autor, a cena foi liberada. Entre suas novelas mais conhecidas, destacam-se 'Cabocla', ambientada nos anos 1920 e centrada no romance entre Luís Jerônimo (Fábio Jr.) e a cabocla Zuca (Glória Pires), e 'Paraíso', que explorou lendas locais e disputas políticas no interior. 'Pantanal', exibida originalmente na Rede Manchete, foi relançada pela TV Globo em 2022 e consolidou-se como uma das obras mais celebradas do autor.