Grupo paramilitar russo invade festa LGBT e condena mulher por blasfêmia em operação violenta
Homens mascarados do grupo Russkaya Obshina invadiram uma festa de aniversário em Arkhangelsk, na Rússia, agredindo fisicamente e verbalmente os convidados com ofensas homofóbicas. A polícia participou da ação, que resultou na condenação da anfitriã, Katya, por blasfêmia devido a um crucifixo de neon na boate. O grupo, alinhado aos valores tradicionais promovidos pelo Kremlin, tem intensificado suas operações nos últimos dois anos, com indícios de financiamento por fundações ligadas ao governo russo.
Ataque violento e participação policial
Durante a festa de 30 anos de Katya, homens mascarados do grupo paramilitar Russkaya Obshina invadiram a boate, agredindo os convidados e proferindo ofensas como 'viados' e 'lésbicas'. A polícia participou da operação, imobilizando pessoas e interrogando Katya. Segundo relatos, sua mãe foi forçada a ficar de quatro no chão durante o ataque. O grupo alegou buscar provas de 'propaganda LGBT', crime na Rússia, mas nenhuma evidência foi encontrada. Ainda assim, Katya foi condenada por blasfêmia nove meses depois, devido a um crucifixo vermelho de neon na parede da boate.
Expansão do grupo e ligações com o Kremlin
O Russkaya Obshina é o maior entre uma rede de grupos nacionalistas russos que têm aumentado suas ações nos últimos dois anos. A investigação da BBC encontrou indícios de que o grupo recebe recursos de fundações beneficentes ligadas a pessoas próximas ao Kremlin. O movimento promove os valores tradicionais defendidos pelo presidente Vladimir Putin, como a oposição ao liberalismo ocidental e a criminalização de pautas LGBT. As operações frequentemente contam com a participação de forças de segurança, reforçando a conexão entre o grupo e o Estado russo.