OMS declara emergência global por surto de Ebola com 220 mortes suspeitas e alerta para agravamento da crise
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto da cepa Bundibugyo do Ebola como emergência de saúde pública de interesse internacional. Até o momento, 220 mortes suspeitas foram registradas na República Democrática do Congo, com risco de agravamento devido à detecção tardia, conflitos locais e falta de vacinas ou tratamentos aprovados para a variante. Uganda confirmou sete casos da doença, enquanto ataques a hospitais e desconfiança comunitária dificultam os esforços de contenção.
Detalhes do surto e desafios de contenção
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou três fatores críticos que agravam o surto: a detecção tardia do vírus, que permitiu sua rápida disseminação; conflitos armados nas regiões de Ituri e North Kivu, que impedem o acesso de equipes médicas; e a desconfiança de comunidades locais em relação a intervenções externas. Além disso, não há vacinas ou tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo do Ebola, o que limita as opções de resposta. Tedros afirmou que as equipes de saúde estão 'correndo atrás do prejuízo' e que a situação pode piorar antes de melhorar. Uganda registrou sete casos confirmados da doença, elevando o alerta para países vizinhos.
Ataques a instalações de saúde e impacto na resposta
Na noite de domingo (24), jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, no leste do Congo, exigindo a liberação dos corpos de dois parentes. O ataque, o terceiro em menos de uma semana contra unidades de saúde, obrigou a evacuação de pacientes e interrompeu serviços críticos. Segundo Richard Lokudu, diretor médico do hospital, os invasores dispararam tiros durante a ação. A violência contra profissionais de saúde e infraestruturas médicas tem sido um obstáculo recorrente, exacerbando a crise humanitária na região.