Há 108 anos, Ernest Hemingway era ferido em combate na Primeira Guerra Mundial e iniciava sua lenda literária
Em 8 de julho de 1918, o futuro escritor Ernest Hemingway, então com 18 anos, foi atingido por um morteiro austríaco enquanto distribuía chocolates a soldados na frente italiana. O episódio, que deixou seu corpo repleto de estilhaços e resultou em uma condecoração por bravura, marcou o início de sua trajetória como ícone da literatura mundial.
O ataque e os ferimentos
Hemingway, voluntário da Cruz Vermelha Americana, foi atingido por um morteiro austríaco que explodiu a cerca de um metro de distância. A explosão matou um soldado italiano que estava entre ele e o ponto de impacto e feriu gravemente outro, que perdeu ambas as pernas e morreu posteriormente. O próprio Hemingway teve as pernas perfuradas por estilhaços e ficou inconsciente. Segundo relato do amigo Ted Brumback em carta aos pais do escritor, Hemingway carregou um terceiro soldado ferido nas costas até um posto de primeiros socorros após recuperar a consciência, embora não se lembrasse do ato até ser informado por um oficial italiano no dia seguinte. O feito rendeu-lhe uma medalha de valor.
Recuperação e legado
Hemingway passou seis meses em recuperação em um hospital em Milão, onde se apaixonou por Agnes von Kurowsky, enfermeira da Cruz Vermelha Americana que cuidou dele. O episódio serviu de inspiração para seu romance 'Adeus às Armas', publicado em 1929. Em reflexões posteriores, Hemingway descreveu o momento como um divisor de águas: 'Quando você vai para a guerra como um garoto, tem uma grande ilusão de imortalidade. Depois de ser gravemente ferido pela primeira vez, você perde essa ilusão e sabe que pode acontecer com você'. O incidente consolidou-se como parte central de sua mitologia pessoal, embora alguns detalhes — como o número exato de ferimentos e as circunstâncias das condecorações — permaneçam nebulosos.