Físico Marcelo Gleiser e rabino Nilton Bonder debatem relação entre IA, afeto e transhumanismo em evento no Rio
Durante o Rio Innovation Week 2026, o físico Marcelo Gleiser e o rabino Nilton Bonder discutiram como as inteligências artificiais estão evoluindo para seduzir não apenas a atenção, mas os afetos humanos. Gleiser destacou que as IAs agora buscam criar vínculos emocionais, elogiando ideias dos usuários e simulando empatia. O debate também abordou o transhumanismo, com a visão de que a imortalidade digital pode se tornar realidade ao codificar a essência humana em hardware.
IA e a sedução dos afetos
Marcelo Gleiser, físico e vencedor do Prêmio Templeton, afirmou que as inteligências artificiais estão passando por uma transição: antes focadas em capturar a atenção dos usuários para monetização, agora buscam seduzir os afetos. "Elas querem que gostemos do ChatGPT, do Claude etc. Ficam elogiando as suas ideias dizendo ‘olha, que legal essa ideia que você teve’", explicou durante o painel "Deus existe? Um físico e um rabino respondem — e nenhum dos dois diz o que você espera", realizado no Rio Innovation Week. O rabino Nilton Bonder, filósofo e escritor, complementou a discussão sobre como essa dinâmica redefine a relação humana com a tecnologia.
Transhumanismo e imortalidade digital
Gleiser abordou o conceito de transhumanismo, que propõe a fusão entre humanos e máquinas. Segundo ele, a ideia central é que tudo — incluindo a história pessoal e o código genético — possa ser codificado e armazenado em hardware, tornando o corpo orgânico "supérfluo". "O orgânico passa a ser supérfluo e isso vai nos levar a uma imortalidade digital", afirmou. O físico destacou que essa visão representa um "sonho de transcendência do corpóreo ao sublime", mas não detalhou implicações éticas ou práticas da proposta.
Expectativa de vida e tecnologia
O físico também mencionou o impacto das tecnologias na expectativa de vida no Brasil, que saltou de 40 anos há um século para quase 80 anos atualmente. Gleiser atribuiu parte desse avanço às ferramentas tecnológicas, sem especificar quais ou como contribuíram. O painel, mediado por Bonder, evitou respostas diretas sobre a existência de Deus, focando em reflexões sobre a interseção entre ciência, espiritualidade e inovação.