Álbum 'Mano' de Erasmo Carlos com rappers divide opiniões e destaca diálogo entre gerações musicais
O álbum póstumo 'Mano', que conecta Erasmo Carlos a rappers como Emicida, Criolo e Marcelo D2, foi lançado nesta sexta-feira (22). Com oito faixas que recriam músicas do cantor entre 1971 e 1973, o projeto busca integrar o rock da Jovem Guarda ao hip hop brasileiro. A primeira impressão é controversa, mas o disco evolui ao longo das faixas, consolidando um diálogo efetivo entre os universos musicais.
Projeto ambicioso com participação de rappers consagrados
O álbum 'Mano' é uma iniciativa do empresário Léo Esteves, filho de Erasmo Carlos, e foi organizado pelo diretor artístico Marcus Preto, responsável pelos últimos trabalhos do cantor, incluindo o aclamado '... Amor é isso' (2018). O projeto reúne oito faixas que recriam músicas lançadas por Erasmo entre 1971 e 1973, período marcado pela expansão de seu repertório além do rock hedonista da Jovem Guarda. Participam do álbum rappers como Budah, Criolo, Dexter, Emicida, Marcelo D2, Rael, Tasha & Tracie, Tássia Reis e Xamã, buscando estabelecer um diálogo entre gerações e gêneros musicais distintos.
Primeira faixa gera controvérsia, mas álbum evolui positivamente
A faixa de abertura, uma recriação de 'É preciso dar um jeito, meu amigo', originalmente lançada no álbum 'Carlos, Erasmo' (1971), não convence de imediato. A música, que também integrou a trilha sonora do filme 'Ainda estou aqui' (2024), perde força ao longo dos três minutos, com fragmentos da gravação original de 1971 sendo ofuscados pelo discurso de Emicida sobre uma base criada pelo duo Tropkillaz. No entanto, o álbum ganha força nas faixas seguintes, especialmente em 'Cachaça mecânica' (1973), onde Budah oferece uma intervenção azeitada, destacando a influência de Chico Buarque no samba-rock de Erasmo.
Diálogo entre rock e hip hop: um legado em construção
Apesar das críticas iniciais, 'Mano' cumpre seu objetivo de fazer a obra de Erasmo Carlos circular em novas esferas do universo pop. O projeto, idealizado para conectar o legado do cantor ao hip hop brasileiro, mostra-se mais efetivo quando há uma verdadeira interação entre as gerações e gêneros musicais. A curadoria de Marcus Preto, que já havia trabalhado nos últimos álbuns de Erasmo, é fundamental para equilibrar as influências e garantir que o resultado final seja coerente com a proposta de homenagear e reinventar o cancioneiro do artista.