Bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz permanece ativo apesar de anúncio de Trump
Marinheiros iranianos confirmam que o bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz continua em pleno vigor, contrariando declarações do presidente Donald Trump sobre sua suspensão. Navios mercantes iranianos foram interceptados e forçados a recuar sob ameaça de fogo após tentarem cruzar a área bloqueada. Teerã exige o fim do bloqueio, a remoção de sanções e a liberação de ativos congelados como condições para qualquer acordo de paz.
Contradição entre anúncio e realidade
No sábado (30/05), marinheiros iranianos relataram à agência Tasnim que o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz permanece totalmente ativo. Segundo os relatos, embarcações que tentaram cruzar a área após o anúncio de suspensão feito pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (29/05) foram interceptadas por navios militares norte-americanos e obrigadas a recuar sob ameaça de uso de força. Trump havia declarado na rede social Truth Social que "os navios presos no estreito devido ao nosso incrível e sem precedentes bloqueio naval, que agora será suspenso, podem começar o processo de 'volta para casa'".
Condições iranianas para acordo
O governo iraniano mantém como condições inegociáveis para qualquer acordo de paz o levantamento imediato do bloqueio naval, a remoção de todas as sanções econômicas impostas pelos EUA e a liberação de ativos financeiros iranianos congelados no exterior. As tensões entre os dois países persistem mesmo após o cessar-fogo firmado em 7 de abril, que encerrou quase 40 dias de hostilidades diretas. Além do bloqueio naval, Teerã e Washington mantêm restrições mútuas à navegação de navios mercantes no Golfo Pérsico e no Mar Arábico.
Trégua frágil e ameaças recentes
Em 23 de maio, Trump afirmou que um acordo de paz com o Irã estava próximo de ser finalizado após conversas com líderes do Oriente Médio. "Os aspectos e detalhes finais do acordo estão sendo discutidos e serão anunciados em breve. Além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto", declarou. No entanto, o presidente norte-americano manteve o tom de ameaça, afirmando que havia uma chance de "50/50" entre a concretização do acordo ou a retomada de ações militares contra o Irã. Dois dias depois, em 25 de maio, os EUA realizaram ataques aéreos no sul do Irã, justificando a ação como uma medida para "proteger" tropas norte-americanas na região de potenciais ameaças.