Livro 'Nessun'altra casa' Analisa as Consequências da Guerra da Bósnia Trinta Anos Após Srebrenica
O livro 'Nessun'altra casa. Memorie lungo la Drina trent’anni dopo Srebrenica' (2025), de Gabriele Santoro, investiga as causas e os legados dos conflitos que levaram à desintegração da Iugoslávia. A obra foca em Srebrenica, palco do genocídio de 8.372 homens bosníacos, e na região da Drina, terra de fronteira entre Sérvia e Bósnia.
Contexto Histórico e Análise da Guerra na Bósnia
No início dos anos Noventa, a desintegração da Iugoslávia deu origem a conflitos étnicos violentos. O livro de Santoro aponta que a violência dessas guerras foi atribuída a um ódio secular, que fervilhava sob uma aparente tranquilidade supervisionada por instituições religiosas diversas e pelo regime comunista de Josip Broz Tito, falecido em 1980. As atrocidades na Bósnia-Herzegovina, que testemunharam o último genocídio do século XX e o retorno dos campos de concentração à Europa, foram especialmente invocadas para explicar esse ódio antigo, guardado por gerações.
Estrutura e Abordagem de 'Nessun'altra casa'
Trinta anos após os acordos de Dayton, que em novembro de 1995 encerraram os massacres e estabeleceram uma frágil arquitetura institucional, Gabriele Santoro percorreu o vale da Drina. O autor reconecta-se com as razões da guerra, as vítimas e os sobreviventes, entrelaçando o relato com uma análise detalhada do presente. O livro é estruturado em três partes – 'Storie', 'Paesaggi' e 'Riflessi' – e adota uma 'ordem porosa', permitindo ao leitor navegar livremente pelos capítulos. Santoro descreve a obra como um 'mosaico' e uma 'constelação' de múltiplos pontos de vista, em vez de um 'relato total'.
Srebrenica: O Centro da Tragédia
O epicentro da narrativa é Srebrenica, palco do único genocídio ocorrido na Europa no pós-guerra, certificado pela Corte Penal Internacional para os Crimes de Guerra. O massacre resultou na morte de 8.372 homens, com idades entre 14 e 76 anos, simplesmente por serem bosníacos. A obra traça a trágica trajetória da cidade, que evoluiu de um próspero centro na Iugoslávia de Tito para um local desabitado, 'vivendo de esmolas'.