EUA alertam para risco de golpe financiado pelo crime organizado na Bolívia em meio a protestos violentos
Os Estados Unidos classificaram a crise na Bolívia como uma tentativa de golpe de Estado financiada pelo crime organizado. Protestos contra medidas de austeridade e aumento do custo de vida se intensificaram em La Paz, com confrontos entre policiais e manifestantes. O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, afirmou que a instabilidade ameaça governos democraticamente eleitos na região e pediu condenação internacional.
Contexto da crise política
A Bolívia enfrenta uma escalada de protestos desde o início de maio, inicialmente motivados por greves contra medidas de austeridade impostas pelo governo do presidente Rodrigo Paz. O movimento ganhou força e se transformou em uma mobilização nacional, com a participação de sindicatos, mineradores, trabalhadores do transporte e grupos rurais. As manifestações pressionam o governo a revogar cortes econômicos e conter o aumento do custo de vida, além de exigirem a renúncia do presidente. Paz, eleito com ampla maioria em novembro de 2025, enfrenta uma das maiores crises de seu mandato, que marcou o fim de quase duas décadas de governos de esquerda no país.
Posicionamento dos Estados Unidos
Em declaração nesta terça-feira (19), o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, afirmou que a situação na Bolívia configura uma tentativa de golpe de Estado financiada por uma 'aliança perigosa entre política e crime organizado'. Landau expressou preocupação com a instabilidade e pediu que outros países da América do Sul condenem o que chamou de ameaça às instituições democráticas. Ele destacou que o governo do presidente Donald Trump trabalha para evitar que forças anti-governo prevaleçam, classificando a crise como prejudicial para toda a região. O diplomata também mencionou que a Bolívia vivia uma 'abertura promissora' sob o governo de Paz, eleito há menos de um ano.
Impactos e reações
Os protestos levaram ao fechamento temporário de agências bancárias em La Paz por motivos de segurança. Manifestantes bloquearam ruas e intensificaram os confrontos com as forças de segurança. O governo boliviano ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações dos EUA, mas a crise já afeta a economia local e gera incerteza política. Analistas apontam que a situação pode se agravar caso não haja uma resposta coordenada entre os países da região para conter a instabilidade.