Capitalismo em crise: Inteligência artificial ameaça ampliar desigualdade global, alertam BlackRock e ONU
CEO da BlackRock, Larry Fink, afirma que o 'velho modelo do capitalismo está se fragmentando' devido à concentração de riqueza e ao avanço da inteligência artificial. Relatório da ONU alerta que a IA pode impactar até 40% dos empregos mundiais e aprofundar desigualdades. Especialistas projetam pressões por políticas públicas para mitigar efeitos da automação e da globalização em declínio.
Fragmentação do capitalismo e concentração de riqueza
Em carta enviada a investidores em março de 2026, Larry Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, declarou que o 'velho modelo do capitalismo está se fragmentando'. Fink destacou a crescente concentração de riqueza e o risco de que a inteligência artificial (IA) amplie ainda mais a desigualdade econômica. O alerta ecoa um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), publicado em dezembro de 2025, que estima ganhos de produtividade de até 5% em setores específicos nos próximos dois anos, mas adverte que a IA pode afetar até 40% dos empregos globais, exacerbando disparidades entre países e dentro das sociedades.
Impacto da IA no mercado de trabalho e desigualdade
O economista Eduardo Giannetti da Fonseca, entrevistado no podcast 'O Assunto' do g1, analisa o cenário como o 'fim do ciclo da globalização' e prevê pressões crescentes por políticas públicas para lidar com os efeitos da automação. Giannetti aponta que a IA não apenas substitui funções repetitivas, mas também redefine setores inteiros, aumentando a necessidade de requalificação profissional. Nos Estados Unidos, o uso de IA em contextos militares e geopolíticos, como na guerra no Oriente Médio, já é objeto de disputas judiciais, refletindo a complexidade ética e econômica da tecnologia.
Desafios regulatórios e adaptação profissional
Profissionais em diversos setores têm adotado medidas como horas extras e redução de pausas para almoço por medo da substituição por IA. No Brasil, chatbots já influenciam eleitores, levantando debates sobre regulação e transparência. Ferramentas como DeepSeek, ChatGPT e Gemini apresentam diferenças significativas em aplicações práticas, desde automação de tarefas até análise de dados complexos. Empresas como a dona do Snapchat anunciaram demissões de 1.000 funcionários, citando ganhos de eficiência proporcionados pela IA, o que reforça a urgência de políticas de proteção ao trabalho e redistribuição de renda.