Unesp desenvolve método sustentável para extrair terras raras de lâmpadas fluorescentes usando bactérias
Pesquisadores do Instituto de Química da Unesp em Araraquara criaram técnica de biolixiviação para recuperar ítrio e európio de lâmpadas descartadas, alcançando 96% de pureza. Método evita uso de agentes químicos agressivos e aproveita resíduo com concentração de metais até 10 vezes maior que em minérios naturais.
Tecnologia inovadora e impacto ambiental
A pesquisa, publicada na revista *ACS Sustainable Resource Management*, utiliza bactérias para extrair elementos de terras raras (ETRs) de lâmpadas fluorescentes descartadas. O método, chamado de biolixiviação, é uma alternativa sustentável aos processos tradicionais, que empregam substâncias químicas prejudiciais ao meio ambiente. Segundo o pós-doutorando Ailton Guilherme Rissoni Toledo, a concentração de metais como ítrio e európio no pó das lâmpadas pode chegar a 10%, enquanto depósitos minerais naturais raramente ultrapassam 1%. A técnica recupera quase 100% desses elementos, com 96% de pureza.
Desafios do descarte e potencial econômico
Com a proibição da produção de lâmpadas fluorescentes a partir de 2027, o volume de resíduos desse tipo deve aumentar significativamente. Atualmente, poucas empresas reciclam esses materiais, e o descarte inadequado resulta em desperdício de recursos valiosos. O pesquisador destaca que a reciclagem desses metais pode reduzir a dependência de mineração e evitar a contaminação de aterros sanitários. O método desenvolvido pela Unesp posiciona o Brasil como potencial líder na recuperação sustentável de terras raras, essenciais para indústrias de tecnologia e energia.