Advocacia e Finanças Sob Pressão: IA e Mercado Exigem Novos Modelos de Negócios
O modelo de 'hora faturável' na advocacia corporativa e as longas jornadas dos banqueiros juniores em Wall Street enfrentam novas pressões. A inteligência artificial está impulsionando a busca por precificação baseada em resultados, enquanto o volume recorde de M&A em 2026 intensifica o debate sobre a carga horária dos profissionais do mercado financeiro.
O Fim da Hora Faturável na Advocacia
Michael Gerstenzang, ex-sócio-gerente da Cleary Gottlieb, defende que o modelo de negócio das grandes bancas de advocacia precisa evoluir. A inteligência artificial (IA) está pressionando a tradicional prática de faturar por hora, pois softwares podem realizar tarefas rotineiras de forma mais rápida e barata. Clientes não estarão dispostos a pagar altas taxas por trabalhos como due diligence se outras firmas puderem executar com software. A IA é vista como a principal força motriz para essa mudança, com a possibilidade de firmas menores e tecnologicamente avançadas competirem com as maiores.
A Luta Contra as Longas Jornadas em Wall Street
Bancos de investimento em Wall Street implementam diversas políticas para monitorar as longas horas de trabalho de seus profissionais juniores. O primeiro trimestre de 2026 registrou um volume recorde de M&A, ultrapassando US$ 1,2 trilhão, o que pode aumentar ainda mais a carga horária. Apesar de políticas como diretrizes semanais e períodos de 'pencils down' (fim do expediente), dados de 2025 indicam que os juniores trabalharam o mesmo que em 2022, com uma média de 81 horas semanais em bancos de ponta. O caso de Leo Lukenas III, um associado de investment banking que faleceu em 2024, reacendeu a preocupação com as horas de trabalho.
Mitos na Negociação Salarial
Gerta Malaj, conselheira de negociação e cofundadora da YourNegotiations.com, adverte contra mitos comuns em negociações salariais. Ela aponta que confiar excessivamente em pesquisas de mercado pode ser uma perda de tempo, pois cada empresa possui sua filosofia e orçamento. Malaj, que trabalhou na Salary.com, aconselha que, embora dados de mercado por setor, localização e tamanho da empresa sejam importantes, muitas empresas optam por direções diferentes das sugeridas. Ela enfatiza a importância da ciência comportamental e da psicologia nas negociações.