Polícia do DF investiga caso de intolerância religiosa em escola pública após vídeo viral com ofensas a religiões de matriz africana
Um vídeo gravado em frente a uma escola pública do Distrito Federal, com ataques a religiões de matriz africana, está sendo investigado pela Polícia Civil por intolerância religiosa. A gravação, que circulou em aplicativos de mensagens, mostra uma mulher criticando uma oficina de música com elementos culturais afro-brasileiros e associando a atividade a práticas satânicas. Áudios subsequentes no mesmo grupo ampliaram as ofensas com xingamentos e ameaças.
Contexto do vídeo e investigação policial
A Polícia Civil do Distrito Federal abriu investigação após a circulação de um vídeo em que uma mulher critica uma oficina de música realizada no Centro de Ensino Fundamental 1 do Varjão. A atividade, voltada para a apresentação de expressões culturais afro-brasileiras, foi associada a práticas religiosas de matriz africana e alvo de ofensas. A gravação, feita na última sexta-feira (29), mostra a mulher questionando a adequação da oficina e fazendo comentários como: 'Esse professor é enviado do Satanás, o que ele vai ensinar aí? Isso é cultura? É o quê'. O vídeo foi compartilhado em um grupo com cerca de 600 integrantes, incluindo pais de alunos da escola.
Reações e conteúdo discriminatório
Além das críticas iniciais, áudios atribuídos a participantes do mesmo grupo ampliaram os ataques, com xingamentos e ameaças direcionadas às religiões afro-brasileiras. Um dos áudios diz: 'Em vez de tá ensinando coisa boa às crianças, pegar a Bíblia pra ler, aí ó... Bota uma macumbeira dessa daí pra ver o que eu faço com ela... Isso aí é religião pra ensinar criança mesmo não, é ensinar coisa boa'. A direção da escola confirmou que a oficina durou cerca de duas horas e contou com a participação de aproximadamente 50 alunos, sendo financiada pela Fundação de Apoio à Cultura (FAC).