40 anos após desastre de Seveso: a 'Chernobyl italiana' que expôs 3 mil quilos de substâncias tóxicas
Em 10 de julho de 1976, uma explosão na fábrica ICMESA, em Meda (Itália), liberou uma nuvem tóxica contendo 3 mil quilos de substâncias químicas, incluindo até 30 kg de dioxina TCDD, uma das mais letais já registradas. O acidente, comparado à tragédia de Chernobyl, matou animais, contaminou solos e forçou a evacuação de milhares de pessoas. Relatos de moradores descrevem um 'sibilo fortíssimo' antes da emissão da nuvem amarelada, que se espalhou por Seveso, Meda, Cesano Maderno e Desio.
A explosão e a nuvem tóxica
O desastre ocorreu às 12h37 de um sábado, quando o reator A101 da ICMESA, que produzia triclorofenol para herbicidas e cosméticos, sofreu uma reação exotérmica descontrolada. A temperatura interna atingiu 250°C, causando uma sobrepressão de 4 atmosferas que rompeu a válvula de segurança. Nos dias seguintes, animais começaram a morrer nas áreas vizinhas, e o prefeito de Seveso orientou a população a evitar o consumo de alimentos cultivados localmente. A nuvem liberada, descrita como baixa e amarelada, com odor semelhante a cloro ou sabão, continha 3 mil quilos de substâncias tóxicas, incluindo soda cáustica, glicol etilênico e entre poucos hectogramas e 30 kg de dioxina TCDD (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina), um composto altamente cancerígeno e persistente no meio ambiente.
Impacto imediato e legado
O acidente, conhecido como o pior desastre químico da história italiana, expôs cerca de 37 mil pessoas à contaminação. A área afetada foi dividida em zonas de risco, com evacuações em massa e demolição de residências nas áreas mais contaminadas. O caso levou à criação da Diretiva Seveso, legislação europeia que estabelece normas rigorosas para a prevenção de acidentes industriais. O morador Alberto Colombo, então com 15 anos, descreveu o som da explosão como 'um sibilo fortíssimo, semelhante a uma panela de pressão gigante', em entrevista ao programa *Ossi di Seppia* em 2021. A ICMESA, apelidada localmente de 'fábrica dos perfumes' por suas emissões odoríferas, operava na produção de triclorofenato de sódio, um intermediário químico para pesticidas e produtos de higiene.