Produtividade do Trabalho no Brasil Cresce Lentamente, Aponta Banco Central
O crescimento da produtividade do trabalho na economia brasileira nos últimos seis anos foi modesto, impulsionado principalmente pela agropecuária e pela realocação do emprego. Sem a agropecuária, o avanço é ainda mais limitado, crescendo apenas 1,1% desde 2019. O Banco Central alerta que a persistência desse modesto avanço pode restringir o potencial de crescimento econômico e gerar pressões inflacionárias.
Análise do Banco Central sobre o Desempenho da Produtividade
O Banco Central (BC) divulgou, em relatório de política monetária, que o crescimento da produtividade do trabalho na economia brasileira nos últimos seis anos foi considerado 'modesto'. Essa conclusão surge em meio a discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1. A maior contribuição para esse avanço veio do desempenho favorável da produtividade na agropecuária e de uma realocação do emprego para atividades consideradas mais produtivas. No entanto, o BC ressalta que, ao excluir o setor agropecuário, o desempenho da produtividade se mostra ainda mais limitado. Desde 2019, houve um crescimento de apenas 1,1%, o que representa uma média de 0,2% ao ano. O relatório aponta o impacto negativo de outros setores da economia nesse cenário.
Implicações da Produtividade Modesta para a Economia
A falta de ganhos significativos de produtividade pode ter implicações diretas nos custos de produção. Em tese, sem esse avanço, a redução das horas trabalhadas pode elevar os custos, pressionando as margens das empresas e, potencialmente, os preços. Esses efeitos, contudo, são influenciados por outros fatores como concorrência, demanda e eficiência. O BC observa que a contribuição da produtividade para a redução dos custos de trabalho tem sido limitada. A eventual persistência desse cenário de avanço modesto da produtividade do trabalho, combinada com restrições ao crescimento da população ocupada – decorrentes da baixa taxa de desocupação, da estagnação da participação na força de trabalho e da desaceleração do crescimento populacional em idade ativa –, poderia limitar o potencial de crescimento da economia. Nesse contexto, acelerações na demanda podem se traduzir em pressões inflacionárias.