Fed mantém perspectiva de corte de juros em 2026 apesar de alta no petróleo e inflação
Investidores aumentaram as apostas em um possível aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026 devido ao impacto inflacionário da guerra EUA-Irã e alta nos preços do petróleo. No entanto, o CIO Brad Long, da Wealthspire, argumenta que o cenário ainda favorece cortes, não elevações, destacando que a inflação subjacente (core CPI) permanece controlada e em tendência de queda.
Inflação e perspectivas do Fed
De acordo com a ferramenta CME Fedwatch, os mercados financeiros precificam uma chance de 19% de alta nos juros pelo Fed até o final de 2026, contra apenas 6% de probabilidade de corte. Para abril de 2027, as chances de alta sobem para 33%, enquanto a possibilidade de redução cai para 4%. A preocupação dos investidores está ligada ao aumento dos preços do petróleo, impulsionado pela guerra EUA-Irã, que poderia gerar um novo surto inflacionário. Contudo, Brad Long, CIO da Wealthspire, descarta a possibilidade de alta nos juros. Ele argumenta que o Fed reconhece que o aumento dos juros não resolveria a causa do problema, já que a alta do petróleo não é impulsionada pela demanda, mas por fatores geopolíticos. Além disso, o núcleo da inflação (core CPI), que exclui alimentos e energia, registrou 2,6% em março, abaixo dos 3,3% do CPI geral, e a inflação de moradia, principal componente do CPI, está em desaceleração.
Expectativas do mercado e estratégias do Fed
Long acredita que o Fed poderá ignorar eventuais aumentos no CPI e manter ou até reduzir os juros, dada a estabilidade do core CPI. Ele destaca que as expectativas inflacionárias elevadas criaram oportunidades para investidores, mas reforça que o cenário ainda é de cortes, não de altas. A postura do Fed reflete a compreensão de que políticas monetárias restritivas não são eficazes para conter inflação causada por choques de oferta, como a alta nos preços do petróleo.