Crise no setor aéreo: Ryanair alerta para falências de companhias devido à alta do combustível
A escalada dos preços do combustível de aviação, impulsionada pela guerra no Irã, ameaça a sobrevivência de companhias aéreas já fragilizadas. Spirit Airlines encerrou operações em maio de 2026, e o CFO da Ryanair prevê que outras empresas podem seguir o mesmo caminho nos próximos meses. O barril de petróleo Brent ultrapassou US$ 110, enquanto o preço do querosene de aviação atingiu quase US$ 200 antes de recuar para US$ 163.
Impacto da guerra no Irã nos preços do combustível
Desde o início do conflito no Irã em fevereiro de 2026, o preço do barril de petróleo Brent registrou alta de mais de 50%, superando a marca de US$ 110. O querosene de aviação, principal combustível usado pelas companhias aéreas, chegou a custar quase US$ 200 por barril, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Embora tenha recuado para cerca de US$ 163, o valor ainda pressiona as finanças das empresas, especialmente aquelas que não adotaram estratégias de hedge para mitigar riscos.
Spirit Airlines como primeiro caso de falência
A Spirit Airlines, já em processo de recuperação judicial desde agosto de 2025, foi a primeira grande vítima da crise. A companhia de baixo custo encerrou suas operações no início de maio de 2026, citando diretamente o aumento dos custos com combustível. A empresa destacou que o combustível representa o segundo maior gasto operacional, atrás apenas da folha de pagamento, e a alta dos preços tornou insustentável a continuidade dos voos.
Estratégias de hedge e perspectivas da Ryanair
Diferentemente de muitas concorrentes, a Ryanair adotou uma estratégia agressiva de hedge para proteger-se das flutuações nos preços do combustível. Segundo o CEO Michael O'Leary, 80% do combustível da companhia está protegido a um preço fixo de US$ 67 por barril. "Não esperamos reduzir voos ou ajustar nossa programação devido aos preços mais altos do petróleo", afirmou O'Leary durante uma teleconferência de resultados na segunda-feira. O CFO Neil Sorahan reforçou que, embora a empresa tenha preparado planos para um cenário de "Armagedom", a confiança na oferta de combustível para o verão europeu é crescente. Ele destacou que a Europa reduziu sua dependência do petróleo importado pelo Estreito de Hormuz, com maior diversificação de fornecedores, incluindo Estados Unidos, Venezuela e Brasil.
Riscos para o setor e vantagem competitiva da Ryanair
Sorahan alertou que companhias aéreas mais fracas, que já enfrentavam dificuldades antes da guerra, podem não resistir ao inverno de 2026. "Os preços permanecerão elevados por mais tempo, o que coloca a Ryanair em uma posição particularmente forte", afirmou. A estratégia de hedge e a estrutura de baixo custo da empresa permitem maior resiliência em comparação com concorrentes que operam com margens mais apertadas. No entanto, o cenário permanece incerto, especialmente para companhias que não adotaram medidas de proteção financeira.