Grupos judaicos progressistas boicotam seminário sobre antissemitismo no Itamaraty por falta de pluralidade
Coletivos judaicos brasileiros afirmam que não participarão do seminário "Enfrentamento ao antissemitismo" no Palácio do Itamaraty, em Brasília, nesta quinta-feira (16/04). As organizações Árabes e Judeus pela Democracia, Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação alegam que seus direitos de fala foram bloqueados pela coordenação do evento. O seminário conta com a presença majoritária de lideranças sionistas.
Acusações de Bloqueio e Falta de Pluralidade
As entidades declararam em nota conjunta que sua ausência não é uma escolha, mas sim resultado do bloqueio de seu direito à fala pela coordenação do evento, apesar de integrarem o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo instituído pelo governo federal. O seminário apresenta uma predominância de lideranças sionistas, com representantes da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) participando de três mesas de debate, incluindo seu presidente, Cláudio Lottenberg. As organizações repudiaram a falta de pluralidade nas discussões e relataram que a proposta de garantir ao menos dez minutos de fala foi desconsiderada na terça-feira (14/04).
Crítica à Mobilização da Memória do Holocausto
As entidades alertaram que a realização do evento no Dia Nacional da Lembrança do Holocausto, sem garantir pluralidade, não é um gesto neutro. "trata-se de mobilizar uma data fundamental da memória do Holocausto para promover vozes alinhadas a uma agenda sionista no Brasil — o que constitui uma afronta à própria memória que se pretende preservar", afirmaram. Reiteraram que "não participarão de um espaço que nos nega voz", e que continuarão atuando nos Grupos de Trabalho estabelecidos pelo governo federal, ressaltando que "a comunidade judaica é plural" e "o sionismo não é um ponto de convergência."