Estudo identifica medicamento que pode prevenir os efeitos biológicos do trauma infantil
Pesquisadores da Alemanha e Suécia identificaram o composto experimental SAFit2, que bloqueia a proteína FKBP51. Em testes com camundongos, o medicamento impediu que o estresse precoce causasse alterações permanentes no cérebro e no comportamento social, agindo diretamente na causa biológica do estresse e não apenas nos sintomas.
O mecanismo do estresse
O corpo humano utiliza o cortisol como hormônio de estresse. Em situações de trauma, a proteína FKBP51 pode tornar os receptores de cortisol menos sensíveis, fazendo com que o organismo permaneça em estado de alerta constante. Experiências adversas na infância podem elevar os níveis dessa proteína, criando um ciclo de estresse crônico que não é percebido conscientemente pelo indivíduo.
O papel do SAFit2
O composto SAFit2 foi testado para bloquear a ação da FKBP51. Nos animais testados, o medicamento permitiu que os filhotes mantivessem um desempenho social normal, mesmo após um início de vida difícil. O tratamento também reverteu alterações genéticas em áreas cerebrais ligadas ao controle emocional e ao sistema de recompensa.
Perspectivas e limitações
Embora promissor, o SAFit2 é um composto experimental e os testes foram realizados apenas em camundongos machos. O estudo demonstra um efeito preventivo (administrado durante o estresse) e não necessariamente uma cura para traumas já estabelecidos em adultos. No entanto, pesquisadores acreditam que o mecanismo biológico seja muito similar entre animais e humanos, abrindo caminho para tratamentos mais direcionados na próxima década.