Jovens cubanos convocam marcha contra acusações dos EUA a Raúl Castro por derrubada de aviões em 1996
Organizações juvenis de Cuba, incluindo a União de Jovens Comunistas (UJC) e a Federação Estudantil Universitária (FEU), convocaram uma marcha para sexta-feira (22/05) em protesto contra acusações dos Estados Unidos contra Raúl Castro. O Departamento de Justiça dos EUA acusou o ex-presidente cubano pela derrubada de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate em 1996, resultando na morte de quatro pessoas. O governo cubano classificou a ação como 'política' e sem fundamento jurídico, enquanto a mobilização ocorrerá na Tribuna Anti-imperialista José Martí, em frente à Embaixada dos EUA em Havana.
Contexto das acusações e reação cubana
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou, em 20 de maio de 2026, uma acusação formal contra Raúl Castro pela derrubada de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate em 24 de fevereiro de 1996. Na época, Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba. O incidente resultou na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos estadunidenses e um residente permanente nos EUA. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a acusação como 'uma ação política, sem nenhum embasamento jurídico' e afirmou que os EUA buscam justificar uma possível agressão militar contra Cuba. Díaz-Canel destacou que a medida faz parte de um 'expediente fabricado' para aumentar as tensões entre os dois países.
Mobilização da juventude cubana
A marcha convocada para 22 de maio de 2026 foi organizada pela União de Jovens Comunistas (UJC), Federação Estudantil Universitária (FEU) e outras entidades juvenis cubanas. O protesto ocorrerá na Tribuna Anti-imperialista José Martí, localizada em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Havana, espaço historicamente utilizado para manifestações contra políticas estadunidenses. José Almeida, membro da coordenação de Havana da FEU, afirmou que a mobilização é uma resposta aos 'ataques ideológicos, políticos e comunicacionais' sofridos por Cuba. Almeida enfatizou que a marcha defende 'a soberania, a autodeterminação e o direito do povo cubano de viver em paz'.
Impacto das sanções e demandas cubanas
Os organizadores da marcha destacaram que as sanções impostas pelos Estados Unidos afetam o acesso da população cubana a necessidades básicas, como alimentação, eletricidade e saúde de qualidade. José Almeida, da FEU, reforçou que o povo cubano busca 'paz em toda a extensão da palavra', não apenas a ausência de guerra, mas também condições para desenvolvimento e acesso a serviços essenciais. A mobilização ocorre em um contexto de crescente tensão entre Cuba e os EUA, com o governo cubano denunciando uma escalada de hostilidades que inclui restrições econômicas e acusações políticas.