Vereador é acusado de racismo após ofensas a entidade da Jurema na Câmara do Recife
O vereador Thiago Medina (PL) foi acusado de racismo religioso e desrespeito após proferir ofensas contra a entidade Mestra Ritinha, da religião Jurema Sagrada, durante a votação de um projeto de lei que visava criar o Dia Municipal da entidade. O projeto foi rejeitado por 12 votos a 8. A OAB-PE também criticou a postura do parlamentar, classificando-a como uma demonstração de insensibilidade e desrespeito à tradição de milhares de fiéis.
O Conflito na Câmara
O debate ocorreu durante a sessão plenária da Câmara Municipal do Recife. O vereador Thiago Medina (PL) criticou duramente o projeto de lei nº 147/2026, de autoria da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL), que pretendia instituir o dia 25 de abril como o Dia Municipal da Mestra Ritinha. Em seu discurso, Medina chamou a entidade de 'mestra dos cabarés' e classificou a proposta como 'porcaria' e 'absurdo'.
Reação e Consequências
A vereadora Jô Cavalcanti denunciou o episódio como racismo religioso e informou que acionará o Conselho de Ética da Câmara contra o parlamentar. A OAB-PE, por meio de sua Comissão de Direito e Liberdade Religiosa, também condenou as falas de Medina, afirmando que elas menosprezam a tradição de fiéis da Jurema Sagrada, uma religião de matriz afro-indígena com forte presença no Nordeste.
Sobre a Jurema Sagrada
A Jurema Sagrada é uma religião com raízes na cultura negra e indígena. A Mestra Ritinha é uma das entidades mais importantes dentro desse contexto, sendo cultuada como símbolo de força, proteção e resistência de mulheres historicamente marginalizadas. O projeto original visava não apenas criar a data, mas também promover ações de combate à intolerância religiosa e valorização do patrimônio cultural imaterial do povo recifense.