Governo Lula mantém recusa em aprovar embaixador dos EUA no Brasil até após eleições
O governo brasileiro decidiu adiar a análise da indicação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil até após as eleições de outubro de 2026. A medida ocorre em meio a uma crise diplomática, após o Senado americano aprovar Perez com 51 votos a favor e 47 contrários. O Itamaraty considera a nomeação uma 'chantagem' após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Crise diplomática e recusa do agrément
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a posição de não conceder o agrément — autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funções — a Daniel Perez, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para o cargo. A decisão foi justificada como uma resposta à pressão americana, que incluiu a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, como retaliação à demora na análise do nome de Perez. Diplomatas brasileiros afirmam que a crise dificilmente será resolvida antes das eleições presidenciais de outubro de 2026.
Indicação sem consulta prévia gera impasse
A indicação de Daniel Perez, parlamentar da Flórida e filho de cubanos, foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA sem a consulta formal prévia ao governo brasileiro, prática comum em processos diplomáticos. O Itamaraty considerou a atitude uma quebra de protocolo, o que intensificou o impasse. O Senado americano aprovou a nomeação de Perez nesta sexta-feira (7), mas o governo brasileiro reiterou que não cederá à pressão e manterá a análise do agrément suspensa até após as eleições.
Escalada nas relações bilaterais
A tensão entre Brasil e Estados Unidos escalou após o Departamento de Estado revogar o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington, como resposta à demora na concessão do agrément a Perez. O governo americano sugeriu que a medida poderia ser revertida caso o Brasil aprovasse a indicação, mas o Itamaraty rejeitou a pressão, classificando-a como inaceitável. A crise reflete um dos momentos mais tensos nas relações diplomáticas entre os dois países nos últimos anos.