Estudo revela mecanismos universais do envelhecimento em mamíferos com base em transcriptomas
Pesquisa inédita identifica assinaturas moleculares comuns do envelhecimento em camundongos, ratos, macacos e humanos, destacando inflamação, disfunção mitocondrial e alterações metabólicas. Modelos de 'relógios transcriptômicos' conseguem estimar idade biológica e risco de mortalidade com precisão.
Descobertas principais do estudo
Cientistas integraram mais de 11 mil transcriptomas de 25 tecidos diferentes em humanos e animais, revelando processos consistentes de envelhecimento, como inflamação, disfunção mitocondrial e alterações metabólicas. O estudo, publicado sob o título 'Universal transcriptomic hallmarks of mammalian ageing and mortality', desenvolveu modelos chamados 'relógios transcriptômicos', capazes de prever a idade biológica e o risco de mortalidade com base na expressão gênica. Esses modelos também demonstraram eficácia em avaliar intervenções relacionadas à longevidade e doenças crônicas.
Genes e processos associados ao envelhecimento
A pesquisa identificou genes como CDKN1A, LGALS3 e GPNMB, associados ao envelhecimento e à mortalidade. Diferentes partes do organismo envelhecem em ritmos distintos, com destaque para a perda progressiva da função mitocondrial e metabólica. Segundo a endocrinologista Carolina Janovsky, da UNIFESP, as mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia celular, têm sua função comprometida com o envelhecimento, afetando o controle da inflamação e o equilíbrio metabólico. Genes relacionados à respiração celular e ao metabolismo energético apresentaram redução consistente com a idade em múltiplos tecidos e espécies.