China bloqueia aquisição de US$ 2 bilhões da Manus AI pela Meta por riscos à segurança nacional
A China impediu a compra da startup de inteligência artificial Manus AI pela Meta, avaliada em US$ 2 bilhões, alegando riscos à segurança nacional e violação de regras de controle de exportação. A decisão do NDRC (National Development and Reform Commission) encerra processo iniciado em janeiro de 2026. A Meta afirmou que a transação cumpria todas as leis aplicáveis, mas os fundadores da Manus foram impedidos de deixar o país.
O que é a Manus AI e por que a aquisição foi bloqueada
A Manus AI é uma ferramenta de inteligência artificial agêntica, desenvolvida para executar tarefas complexas de forma autônoma, sem necessidade de supervisão contínua do usuário. Fundada na China em março de 2025, a startup foi comparada ao DeepSeek pela mídia estatal chinesa e migrou sua sede para Singapura em julho do mesmo ano, após captar US$ 75 milhões em investimentos liderados pela Benchmark, dos EUA. A prática de transferir a sede para Singapura, conhecida como 'Singapore Washing', é comum entre empresas chinesas que buscam acesso a capital ocidental e menor exposição à regulação de Pequim. No entanto, o bloqueio da aquisição pela Meta demonstrou que a estratégia não isenta a empresa de vínculos com a China, especialmente quando sua tecnologia e fundadores permanecem ligados ao país. Segundo o Financial Times, os cofundadores da Manus foram impedidos de deixar a China após a decisão do NDRC.
Reações e impactos da decisão
A Meta declarou que a aquisição da Manus AI 'cumpriu integralmente a legislação aplicável', mas não comentou publicamente sobre o bloqueio. A decisão do NDRC reflete a crescente tensão entre EUA e China no setor de tecnologia, especialmente em áreas sensíveis como inteligência artificial. O economista Roberto Kanter, da Fundação Getulio Vargas, destacou em entrevista ao Podcast Canaltech que o caso ilustra como empresas chinesas, mesmo com sedes no exterior, não conseguem se desvincular totalmente das regulamentações de Pequim. Parte da equipe da Manus já havia sido incorporada à operação de IA da Meta antes do bloqueio, o que pode gerar complicações adicionais para a gigante americana.