Bolívia enfrenta onda de protestos e renúncias ministeriais em meio a crise política
O ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García, renunciaram aos cargos na Bolívia em meio a protestos contra políticas neoliberais do governo de Rodrigo Paz. Os manifestantes, liderados pela Central Operária Boliviana (COB), exigem a renúncia do presidente e o fim dos bloqueios de estradas que paralisam o país há 33 dias. O governo avalia decretar estado de emergência para mobilizar as Forças Armadas.
Renúncias e contexto político
As renúncias dos ministros Marcelo Salinas (Defesa) e Beatriz García (Educação) ocorreram nesta terça-feira (03/06) após uma reunião de coordenação do Poder Executivo com o presidente Rodrigo Paz. Salinas, no cargo desde novembro de 2025, foi substituído por Ernesto Justiniano, ex-Vice-Ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas, conhecido como 'czar das drogas'. Justiniano é visto como uma figura alinhada aos interesses dos Estados Unidos, especialmente no combate ao narcotráfico nos Trópicos de Cochabamba, região historicamente ligada ao ex-presidente Evo Morales.
Protestos e bloqueios
A Bolívia enfrenta uma crise política com 33 dias consecutivos de protestos e bloqueios de estradas, liderados pela Central Operária Boliviana (COB) e organizações camponesas. Os manifestantes exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz e rejeitam as políticas neoliberais implementadas pelo governo. Até o momento, há mais de 90 bloqueios registrados em oito regiões do país, afetando o abastecimento e a mobilidade. O governo avalia decretar estado de emergência para autorizar a intervenção das Forças Armadas nos protestos.