Juiz federal arquiva acusação contra imigrante deportado por engano durante governo Trump e aponta abuso de poder
Um juiz federal dos Estados Unidos arquivou a acusação criminal contra o imigrante salvadorenho Kilmar Abrego Garcia, deportado por engano durante o governo de Donald Trump. A decisão destacou abuso de poder do Departamento de Justiça, que reabriu uma investigação para justificar a deportação após Abrego processar o governo. Abrego havia sido enviado a El Salvador apesar de decisão judicial que proibia seu retorno por risco de perseguição.
Contexto da deportação e decisão judicial
Kilmar Abrego Garcia, imigrante salvadorenho que entrou ilegalmente nos Estados Unidos, foi deportado em março de 2025 para El Salvador, mesmo com uma decisão judicial anterior proibindo seu retorno devido ao risco de perseguição. A deportação ocorreu durante a gestão do presidente Donald Trump, que defendia uma política de deportações em massa. Após a Suprema Corte dos EUA determinar que o governo facilitasse o retorno de Abrego, promotores apresentaram uma acusação criminal contra ele por suposto tráfico de pessoas, relacionada a um episódio de 2022. O juiz federal Waverly Crenshaw, de Nashville, arquivou a acusação nesta sexta-feira (22), classificando a ação do governo como um 'abuso do poder de acusação'.
Repercussão e simbolismo do caso
O caso de Kilmar Abrego Garcia se tornou um símbolo das políticas de deportação do governo Trump. Após ser deportado, Abrego foi enviado a uma megaprisão em El Salvador, o que gerou críticas e mobilizações em defesa dos direitos dos imigrantes. Com a decisão do juiz Crenshaw, o imigrante, que se declarou inocente, teve a acusação criminal arquivada. A decisão reforça questionamentos sobre o uso do poder de acusação pelo Departamento de Justiça para retaliar processos judiciais movidos por imigrantes contra o governo.