Professor de Yale lança livro polêmico contra 'gerontocracia' e propõe aposentadoria compulsória para idosos
Samuel Moyn, professor de Direito e História na Universidade Yale, anuncia lançamento do livro 'Gerontocracy in America', no qual critica a concentração de poder e riqueza nas mãos dos mais velhos nos EUA. Entre as propostas controversas, estão aposentadoria compulsória e incentivos fiscais para pressionar idosos a venderem imóveis, visando 'liberar' oportunidades para jovens. O autor alerta para o risco de alimentar o etarismo ao defender tais medidas.
Diagnóstico e críticas à concentração de poder
No livro 'Gerontocracy in America: how the old are hoarding power and wealth – and what to do about it', Samuel Moyn argumenta que os Estados Unidos vivem sob uma 'tirania dos velhos', onde a idade média das lideranças em legislaturas, empresas e tribunais aumentou drasticamente. Segundo o autor, essa concentração de poder resulta em políticas que priorizam a preservação do *status quo* em detrimento da renovação social e econômica. Moyn destaca que a idade média do eleitor americano é de 52 anos e que a idade média de compradores de imóveis subiu de 30 anos em 1981 para 53 anos em 2022, refletindo uma sociedade mais focada em preservação do que em inovação.
Propostas polêmicas e riscos de etarismo
Entre as soluções propostas por Moyn para combater a gerontocracia, estão a reintrodução da aposentadoria compulsória em setores-chave e incentivos fiscais para pressionar idosos a venderem seus imóveis. O professor sugere que tais medidas poderiam 'liberar' oportunidades para jovens no mercado de trabalho e no acesso à moradia. No entanto, especialistas alertam que as propostas podem alimentar o etarismo, reforçando estereótipos negativos sobre a capacidade produtiva e a contribuição social dos mais velhos. Moyn reconhece o risco, mas defende que a discussão é necessária para equilibrar as gerações em uma sociedade em envelhecimento.