Algoritmos de redes sociais facilitam grooming e violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil
Estudo da ChildFund Brasil revela dinâmicas de risco e vulnerabilidades no ambiente digital, destacando falhas das Big Techs na proteção de menores. Pesquisa aponta que plataformas como WhatsApp e jogos online, como Among Us, são usados para práticas de grooming, enquanto empresas defendem neutralidade tecnológica para evitar regulação estatal.
Metáfora dos 'impostores digitais' e a realidade do grooming
Em 2020, o jogo *Among Us* popularizou a dinâmica de um 'impostor' infiltrado entre tripulantes, sabotando e eliminando membros sem ser identificado. Em 2026, essa metáfora se aplica aos algoritmos das redes sociais, que, segundo o estudo da ChildFund Brasil, facilitam práticas de grooming — manipulação psicológica de menores para fins sexuais. O relatório 'Violência sexual on-line contra crianças e adolescentes no Brasil: Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade e Dinâmicas de Risco' expõe como plataformas digitais, incluindo jogos online e aplicativos de mensagens como o WhatsApp, são exploradas por criminosos para abordar e enganar jovens. A pesquisa, lançada após a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital, Lei nº 15.211/2025), desmente a ideia de que os riscos online são exagerados ou restritos a casos isolados.
Neutralidade tecnológica: estratégia corporativa para evitar regulação
Empresas de tecnologia, como Meta e Google, defendem a tese de que suas plataformas são 'ferramentas neutras', argumentando que a segurança de crianças e adolescentes depende exclusivamente da vigilância familiar. Essa narrativa busca blindar as Big Techs de fiscalização estatal, alegando que regulamentações violariam a liberdade de expressão. No entanto, o estudo da ChildFund Brasil demonstra que a arquitetura algorítmica das redes sociais — projetada para maximizar engajamento — muitas vezes prioriza interações de alto risco, como sugestões de amizades ou grupos suspeitos, em detrimento da proteção de menores. A pesquisa reforça que a neutralidade tecnológica é uma falácia, pois os sistemas são programados para reter usuários, independentemente dos danos colaterais.