Centro Especializado para Crianças e Adolescentes em MS ainda não saiu do papel três anos após morte de Sophia
Três anos após o assassinato de Sophia Ocampo, de 2 anos e 7 meses, em Campo Grande, o Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente, prometido como resposta às falhas na rede de proteção, ainda não foi construído. O projeto está em análise na Agesul e na Sejusp, com previsão de investimento de R$ 10 milhões em área doada pela União.
Contexto do caso Sophia
Sophia Ocampo, de 2 anos e 7 meses, foi assassinada pela mãe e pelo padrasto em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2023. O caso expôs graves falhas na rede de proteção à infância e gerou comoção nacional. A criança havia sido atendida em unidades de saúde e conselhos tutelares antes de sua morte, mas as medidas de proteção não foram suficientes para evitar a tragédia. A Justiça condenou o estado e a prefeitura por negligência, determinando o pagamento de R$ 430 mil aos pais da vítima.
Situação atual do Centro Especializado
O Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente, um dos compromissos assumidos pelo poder público após a morte de Sophia, ainda não foi construído. O projeto está em análise na Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) e na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A unidade será erguida em uma área de 5.952 metros quadrados, doada pela União ao estado em 2024, localizada em frente à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande. O investimento previsto é de R$ 10 milhões.
Mudanças na rede de proteção à infância
Após o caso Sophia, o número de conselhos tutelares em Campo Grande foi ampliado. A legislação determina a existência de uma unidade para cada 100 mil habitantes. Com base no último censo do IBGE, a capital sul-mato-grossense deveria ter nove conselhos tutelares e 45 conselheiros. Em 2023, uma eleição aumentou o número de conselheiros de 25 para 40, e o município aprovou a criação de três novos conselhos, totalizando oito unidades.