Recifes artificiais no Paraná recuperam biodiversidade marinha após 25 anos
Projeto iniciado em 2001 no litoral do Paraná transformou blocos de concreto em ecossistemas vibrantes, atraindo espécies ameaçadas de extinção como o mero. Pesquisadores destacam a recuperação da biodiversidade e o combate à pesca ilegal como resultados principais.
Início do projeto e objetivos
Em 2001, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançaram ao mar dois mil blocos de concreto e afundaram duas balsas na região de Pontal do Sul. O objetivo era duplo: combater a pesca de arrasto, proibida em áreas protegidas mas praticada ilegalmente, e criar estruturas que favorecessem a biodiversidade marinha. As estruturas foram instaladas para servir como abrigo, área de alimentação e reprodução para diversas espécies.
Resultados após 25 anos
Após 25 anos, os recifes artificiais se transformaram em um ecossistema exuberante. O oceanógrafo Frederico Pereira, que participou do início do projeto, afirmou que as estruturas de concreto foram quase totalmente cobertas por vida marinha, incluindo algas e corais. "Praticamente você não vê concreto, você vê vida marinha agregada. E isso significa a base de uma teia alimentar. Na verdade, criamos um novo ecossistema artificial", explicou Pereira. O corredor marinho do litoral paranaense agora conta com pelo menos 14 mil estruturas semelhantes.
Impacto na conservação de espécies
Um dos resultados mais significativos do projeto foi o reaparecimento do mero, um peixe de grandes proporções que está seriamente ameaçado de extinção. A presença constante dessa espécie tem surpreendido mergulhadores e cientistas. "A gente está vendo o resultado em termos de conservação", destacou Pereira. A área também se tornou parte do Parque Nacional Marinho do Arquipélago de Currais, reforçando a proteção ambiental.