80% dos brasileiros já viram deepfakes, mas quase ninguém consegue detectá-los
Pesquisa da Veriff em parceria com a Kantar revela que 80% dos brasileiros já encontraram deepfakes online, o maior índice entre os países analisados. No entanto, a capacidade de detecção é quase nula, com pontuação média de 0,08 em uma escala de 1,0. Especialistas alertam que técnicas antigas de identificação, como erros visuais, já não funcionam devido à evolução da tecnologia. O Brasil lidera o crescimento de fraudes com deepfakes na América Latina, com aumento de 126% em 2025.
Detecção próxima do acaso
A pesquisa da Veriff, realizada em parceria com a Kantar, aponta que 80% dos brasileiros já se depararam com deepfakes na internet, um índice superior aos 60% registrados nos Estados Unidos e no Reino Unido. No entanto, a capacidade de identificação desses conteúdos é quase aleatória, com uma pontuação média de 0,08 em uma escala de 1,0. Andrea Rozenberg, diretora de Mercados Emergentes da Veriff, explica que os critérios tradicionais, como falhas visuais ou movimentos robóticos, já não são eficazes. "As pessoas ainda estão presas em como esses conteúdos eram dois ou dez anos atrás", afirma.
Acesso democratizado e riscos crescentes
A produção de deepfakes tornou-se acessível a qualquer pessoa, exigindo apenas duas fotos e um trecho de voz para gerar um vídeo convincente. Segundo a Sumsub, as fraudes envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, representando 39% de todos os casos detectados na América Latina. Os golpes variam desde perfis falsos em aplicativos de namoro até fraudes bancárias e manipulações políticas. Com as eleições de 2026 se aproximando, especialistas alertam para o risco de vídeos falsos de candidatos disseminando desinformação.