Governo eleva projeção de inflação para 4,5% em 2026 devido à alta do petróleo e tensões no Oriente Médio
O governo federal aumentou a estimativa de inflação para 2026 de 3,7% para 4,5%, atingindo o limite superior da meta estabelecida. A revisão é atribuída ao impacto da guerra no Oriente Médio nos preços do petróleo, que ultrapassaram US$ 110 por barril. Medidas mitigatórias e a valorização do real são citadas como fatores para conter parte do repasse inflacionário. O mercado financeiro projeta inflação ainda maior, em 4,92%. A previsão de crescimento do PIB permanece em 2,3%.
Contexto e justificativa da revisão inflacionária
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou, em 18 de maio de 2026, o Boletim Macrofiscal com a atualização das projeções econômicas. A inflação oficial, medida pelo IPCA, foi revisada de 3,7% para 4,5% em 2026, alinhando-se ao teto da meta de 4,5% (com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%). A principal justificativa para o ajuste é o conflito no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais do petróleo para acima de US$ 110 por barril, pressionando os custos dos combustíveis no Brasil. O governo destacou que parte do impacto será atenuada pela apreciação do real e por medidas adotadas para conter o repasse dos aumentos ao mercado doméstico.
Impacto no crescimento econômico e perspectivas
Apesar da revisão inflacionária, o Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026, mesma taxa registrada em 2025. A composição do crescimento, no entanto, sofreu alterações: a indústria perdeu participação, enquanto os serviços ganharam relevância, e a agropecuária manteve sua contribuição. Espera-se uma desaceleração nos trimestres intermediários devido aos efeitos defasados da política monetária restritiva, com recuperação prevista apenas no quarto trimestre, impulsionada pela indústria. O mercado financeiro, por sua vez, projeta uma inflação de 4,92%, acima do limite superior da meta.