Trabalho remoto impacta mais contratações de jovens do que IA, apontam pesquisadores
Estudo revela que o trabalho remoto tem maior influência na redução de contratações de profissionais em início de carreira do que a inteligência artificial. Pesquisadores analisaram dados de contratações e vagas em quatro países entre 2017 e 2025 e concluíram que a dificuldade de supervisão e treinamento à distância afeta mais a contratação de jovens.
Estudo desafia narrativa sobre IA e empregos juniores
Pesquisadores Peter John Lambert, da London School of Economics, e Yannick Schindler, do Ellison Institute of Technology, analisaram dados de 243 milhões de contratações e 407 milhões de vagas de emprego nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália entre 2017 e 2025. O estudo concluiu que a exposição ao trabalho remoto (WFH) é um preditor mais forte da redução de contratações de profissionais em início de carreira do que a exposição à inteligência artificial (IA). Embora a IA tenha sido frequentemente responsabilizada pela desaceleração na contratação de jovens, os autores destacam que cargos mais expostos à IA, como desenvolvedores de software, consultores e cientistas de dados, também são os mais propensos ao trabalho remoto. Quando controladas separadamente, ambas as variáveis mostraram impacto negativo, mas o efeito da IA diminuiu significativamente ao considerar o trabalho remoto simultaneamente.
Dificuldades de supervisão e treinamento à distância
Os pesquisadores argumentam que o trabalho remoto torna mais difícil supervisionar e treinar profissionais juniores, o que pode explicar a redução nas contratações. A falta de interação presencial limita o aprendizado prático e a mentoria, essenciais para o desenvolvimento de habilidades em início de carreira. Além disso, o estudo sugere que pesquisas anteriores podem ter confundido os efeitos da IA e do trabalho remoto, já que ambos os fatores frequentemente se sobrepõem nos mesmos setores.