Bolívia enfrenta onda de protestos contra retorno do modelo neoliberal, afirma Evo Morales
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, atribuiu a crise política e social no país à retomada de políticas neoliberais pelo governo de Rodrigo Paz. Protestos liderados por sindicatos e setores populares desde maio rejeitam medidas como livre contratação, eliminação de tarifas para importações agrícolas e fim de regimes tributários simplificados. Morales destacou que a revolta transcende reivindicações setoriais e se volta contra o 'Estado neocolonial'.
Decreto 5503 e comparação com políticas dos anos 1980
Em entrevista ao Opera Mundi, Morales detalhou que o Decreto Supremo 5503, promulgado pelo governo Paz em dezembro de 2025, reintroduziu medidas semelhantes às do Decreto 21060 de 1985, marco do início do neoliberalismo na Bolívia. Entre as principais mudanças estão a livre contratação para trabalhadores, a eliminação de tarifas para importações agrícolas e a revogação do regime tributário simplificado para o setor comercial. 'Para o setor trabalhista, livre contratação; para o setor agrícola, livre importação com tarifas zero; para o setor comercial, o regime tributário simplificado foi eliminado', afirmou.
Revolta popular e acusações ao governo
Morales negou que os protestos sejam direcionados contra sua figura, como alega o governo Paz. Segundo ele, as manifestações começaram com demandas específicas — como salários, posse de terras e melhorias em saúde e educação — e evoluíram para uma rejeição generalizada ao modelo neoliberal e ao caráter colonial do Estado boliviano. 'Eles culpam tudo em mim, tudo no Evo. Os culpados são aqueles que emitiram o Decreto Supremo e essa lei', declarou. O ex-presidente também criticou a falta de diálogo com pequenos proprietários rurais, enquanto o governo teria chegado a acordos com o agronegócio.