Surto de ebola no Congo atinge 1.077 casos suspeitos e 246 mortes; OMS alerta para crise humanitária
O terceiro maior surto de ebola da história foi declarado na República Democrática do Congo (RDC) em 15 de maio de 2026. Com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes registradas até 30 de maio, a epidemia se concentra nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC) alertam para o risco de disseminação regional e global, enquanto a falta de financiamento internacional agrava a crise.
Situação crítica e falta de recursos
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou o surto como 'extremamente grave e difícil', prevendo que a situação 'vai piorar antes de melhorar'. A organização busca mobilizar equipamentos e especialistas médicos para conter o avanço do vírus, mas enfrenta limitações financeiras após a saída dos Estados Unidos, seu maior contribuinte individual. A redução de programas e cortes orçamentários agravaram a capacidade de resposta da OMS. O diretor-geral da África CDC, Jean Kaseya, denunciou a volatilidade dos compromissos financeiros internacionais. Parceiros que haviam prometido quase US$ 500 milhões para o combate ao surto reduziram o valor para US$ 290 milhões em menos de uma semana. 'As pessoas estão morrendo! Como alguém pode anunciar um compromisso de X milhões de dólares e, no dia seguinte, me ligar para dizer que foi um erro?', questionou Kaseya em entrevista coletiva.
Riscos de expansão e desafios logísticos
A epidemia se concentra no leste da RDC, uma região marcada por conflitos armados e instabilidade política, o que dificulta o acesso de equipes médicas e a implementação de medidas de contenção. A OMS teme que o vírus se espalhe para países vizinhos, como Uganda e Ruanda, devido ao fluxo transfronteiriço de pessoas e à fragilidade dos sistemas de saúde locais. Além da falta de recursos, a resposta ao surto é prejudicada pela desconfiança da população em relação às autoridades e às equipes de saúde. Relatos de violência contra profissionais médicos e resistência à vacinação têm sido registrados, complicando os esforços de contenção. A OMS e o África CDC reforçam a necessidade de uma abordagem integrada, que combine ações médicas, comunicação de risco e engajamento comunitário para conter a epidemia.