Desafio da adoção de crianças acima de 8 anos persiste no Brasil em 2026
No Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, o Brasil enfrenta um dos maiores desafios do sistema de adoção: aumentar o número de crianças com mais de 8 anos adotadas. Enquanto mais de 36 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos, apenas 6 mil estão aptas para adoção, apesar de haver mais de 32 mil famílias cadastradas no sistema.
Descompasso entre crianças aptas e famílias interessadas
Dados do sistema de adoção brasileiro revelam um descompasso significativo: há mais de 32 mil famílias cadastradas para adotar, mas apenas cerca de 6 mil crianças e adolescentes estão aptos para adoção. A maioria das crianças em abrigos aguarda reintegração familiar ou a conclusão de processos judiciais que permitam a adoção. O juiz Ricardo de Sá Leitão explica que muitos esforços são feitos para reintegrar as crianças às suas famílias biológicas antes de declará-las aptas para adoção.
Adoção tardia: desafios e construção de vínculos
A adoção de crianças mais velhas, especialmente aquelas acima de 8 anos, é um dos principais desafios. O casal Aslan Cabral e Arthur Aguiar, que adotou o filho Guilherme, destaca que a parentalidade é uma construção diária. "Adotar é cuidar, é estar ali sempre. Não é só porque você levou a criança para casa que você é pai ou mãe. Você é pai no dia a dia", afirma Aslan Cabral. A relação exige dedicação, estudo e adaptação constante, mas traz transformações profundas para a vida das famílias.
Processo rigoroso e tempo da Justiça
O processo de adoção no Brasil é rigoroso e envolve etapas que podem ser demoradas. Após a reintegração familiar ser descartada, a Justiça inicia o processo de perda do poder familiar dos pais biológicos, permitindo que a criança seja colocada para adoção. Durante esse período, as famílias interessadas passam por avaliações psicológicas e sociais para garantir que estejam preparadas para receber a criança.