Gaviões e aves da Amazônia formam rede de alerta contra predadores e humanos
Estudo internacional revela como aves de rapina e outras espécies no Parque Nacional Manu, no Peru, coordenam chamados de alarme para alertar sobre predadores, incluindo humanos. Gaviões como o asa-de-telha e o bombachinha-grande emitem sons específicos que desencadeiam reações em cadeia entre aves e primatas, silenciando a floresta.
Comportamento de alerta entre espécies
Pesquisadores da Suíça, Austrália, Peru e Estados Unidos analisaram as interações entre 370 espécies de aves e 10 de primatas no Parque Nacional Manu, no Peru. O estudo demonstrou que aves de rapina, como o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), o gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor) e o falcão-de-coleira (Falco femoralis), são as primeiras a emitir chamados de alerta ao avistarem predadores ou humanos. Esses sons — gritos agudos e repetidos como 'kiii-kiii-kiii' ou 'klee-klee-klee' — são captados por outras aves, incluindo espécies do gênero Monasa, como o chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons), que amplificam o sinal. Primatas como macacos-prego (Sapajus spp.) e macacos-aranha (Ateles spp.) também participam dessa rede de comunicação, propagando o alarme e silenciando temporariamente a floresta.
Metodologia do estudo
Para simular a propagação dos alarmes, os biólogos reproduziram chamados gravados de aves e primatas e registraram as reações dos animais. Os resultados, publicados na revista *Current Biology* em 20 de abril de 2026, confirmam que a comunicação entre espécies forma uma rede complexa de informações, essencial para a sobrevivência na floresta.