Camilly Victória, filha de Xanddy e Carla Perez, aborda heterossexualidade compulsória e gera debate sobre pressão social
A cantora e produtora Camilly Victória, filha de Xanddy e Carla Perez, trouxe à tona o conceito de 'heterossexualidade compulsória' em reflexão nas redes sociais. O termo, cunhado pela escritora Adrienne Rich, refere-se à pressão social para que mulheres se relacionem exclusivamente com homens, marginalizando outras orientações sexuais. Especialistas destacam que a sociedade normaliza a heterossexualidade como padrão, o que pode gerar violências e opressões contra pessoas não-heterossexuais.
Contexto e repercussão
Camilly Victória, filha do cantor Xanddy e da dançarina Carla Perez, respondeu a perguntas anônimas no Instagram em 15 de abril de 2026, abordando a fluidez da sexualidade e mencionando a 'heterossexualidade compulsória'. A declaração gerou ampla repercussão nas redes sociais, destacando a experiência pessoal da cantora com a pressão social para se relacionar com homens. 'Além de sexualidade ser fluida, muitas lésbicas também passam pela heterossexualidade compulsória. Eu mesma passei por isso', afirmou Camilly.
Origem e significado do termo
O conceito de 'heterossexualidade compulsória' foi introduzido pela escritora estadunidense Adrienne Rich, com traduções para o português surgindo na década de 2010. Segundo a psicóloga Naira Bonfim, mestre em Estudos de Gênero, o termo problematiza a normalização da heterossexualidade como padrão social, cultural e institucional. 'A heterossexualidade é vista como o que é normal, hegemônico, enquanto outras orientações são tratadas como estranhas ou anormais, justificando violências e opressões', explicou Bonfim em entrevista ao G1.
Impacto social e desconstrução
A obra de Adrienne Rich descontrói a ideia de que a heterossexualidade é uma orientação 'natural', argumentando que os desejos são construídos socialmente. Naira Bonfim reforça que a sociedade organiza discursos e instituições para reforçar esse padrão, o que pode dificultar a aceitação de outras formas de relacionamento. A reflexão de Camilly Victória dialoga com essa perspectiva, ao expor como a pressão social afeta a vivência da sexualidade, especialmente para mulheres lésbicas.