Canal da Morte no Equador acumula dezenas de cadáveres e reflete crise de violência no país
O Canal da Morte, em Guayaquil, Equador, tornou-se um depósito de corpos a céu aberto em meio à escalada da violência ligada ao crime organizado. Desde 2023, mais de 100 cadáveres foram retirados do local, que originalmente servia para irrigação agrícola. Moradores relatam medo e desconfiança nas autoridades, enquanto o país registra uma média de um homicídio por hora em 2025.
Contexto e localização
O Canal da Morte está localizado no distrito de Nueva Prosperina, em Guayaquil, considerado o mais violento da principal cidade portuária do Equador. Construído há mais de uma década para fins de irrigação agrícola, o canal de 45 quilômetros de extensão passou a ser utilizado para descartar corpos após a pandemia. O local é descrito como uma área sem iluminação pública, câmeras de segurança ou controle efetivo das autoridades, dominada por homens armados em motocicletas.
Casos recentes e impacto na comunidade
Em maio de 2026, o corpo de Georgina Bermeo, de 38 anos, foi encontrado no canal, junto ao de seu marido, José Cedeño, de 43 anos. Ambos foram assaltados e baleados antes de terem seus corpos descartados no local. Familiares relataram à AFP que não denunciaram o crime por medo de represálias, alegando que 'a polícia está nas mãos dos criminosos'. Juan Ordóñez, líder comunitário da região, afirmou que a morte 'visita' os moradores diariamente, com corpos frequentemente encontrados nas comportas do canal.
Estatísticas e violência no Equador
O Equador registrou uma média de um homicídio por hora em 2025, segundo dados oficiais. Desde 2023, a polícia forense já retirou mais de 100 corpos do Canal da Morte. Moradores descrevem um cenário de medo constante, com portas trancadas e ausência de segurança pública. A violência é atribuída ao domínio de grupos criminosos ligados ao narcotráfico, que operam com impunidade na região.