Cientistas alertam: Ozempic e Mounjaro podem ampliar desigualdades no tratamento da obesidade
Pesquisadores da University College London (UCL) e da Universidade de Cambridge publicaram alerta na revista *Nature Medicine* sobre o risco de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, aprofundarem desigualdades no tratamento da obesidade. O acesso a alimentação saudável, orientação nutricional e acompanhamento médico contínuo é apontado como fator crucial para a eficácia de longo prazo dessas terapias, que têm transformado o combate à obesidade, mas dependem de condições socioeconômicas dos pacientes.
Dependência de fatores socioeconômicos
Os autores do estudo destacam que os benefícios dos medicamentos à base de incretinas, como Ozempic e Mounjaro, não são garantidos apenas pelo uso das substâncias. Segundo o Dr. Adrian Brown, da UCL Medicine, o tratamento da obesidade exige suporte integrado, incluindo aconselhamento nutricional, acesso a alimentos saudáveis e acompanhamento médico contínuo. Sem essas condições, os resultados podem variar significativamente entre pacientes de diferentes realidades socioeconômicas, potencializando desigualdades já existentes.
Riscos de aprofundar desigualdades
O alerta dos pesquisadores ressalta que, embora os medicamentos tenham revolucionado o tratamento da obesidade, seu impacto na saúde pública dependerá da criação de sistemas de apoio que garantam acesso equitativo. Dados citados no estudo indicam que cerca de 1,6 milhão de adultos no Reino Unido já utilizam essas terapias, mas a falta de políticas públicas que assegurem condições básicas de saúde pode limitar seus benefícios a grupos privilegiados.