Mulher resgatada após 36 anos em trabalho análogo à escravidão pede para voltar à casa dos patrões por falta de assistência
Mulher de 54 anos foi resgatada em novembro de 2025 em condições degradantes após trabalhar sem salário, férias ou direitos trabalhistas desde os 17 anos. Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga falhas no atendimento da prefeitura do Recife, que alega ter seguido protocolos da Política Nacional de Assistência Social. Caso expõe vulnerabilidade extrema e dependência forçada.
Condições de trabalho e resgate
A mulher, hoje com 54 anos, foi resgatada em novembro de 2025 no bairro de Porto da Madeira, Zona Norte do Recife, após 36 anos de trabalho análogo à escravidão. Ela começou a trabalhar na casa dos patrões em 1989, aos 17 anos, sem registro em carteira, salário, férias, descanso semanal remunerado ou depósito de FGTS. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram identificadas irregularidades como falta de pagamento de 13º salário, adicional noturno, não fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e prestação de informações falsas para obtenção indevida de benefícios emergenciais. Durante o resgate, auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram a vítima com ferimentos nos pés e em situação de 'extrema vulnerabilidade', submetida a 'dependência forçada' e intimidações que impediam qualquer tentativa de denúncia ou rompimento do vínculo.
Investigação sobre falhas no atendimento
O MPT abriu investigação para apurar possíveis falhas no atendimento oferecido pela prefeitura do Recife após o resgate. A mulher procurou o órgão em 28 de abril de 2026 alegando falta de assistência adequada e manifestando desejo de retornar à casa dos antigos patrões. A gestão municipal afirmou que ofereceu acolhimento institucional conforme a Política Nacional de Assistência Social e que atua em conformidade com os protocolos estabelecidos. O caso evidencia os desafios na reinserção de vítimas de trabalho escravo e a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir dignidade e autonomia.