Deepfakes Sexuais em Escolas: Adolescentes Usam IA para Criar Nudes Falsos de Colegas no Brasil e Mundo
Aplicativos de inteligência artificial generativa estão sendo utilizados por adolescentes para criar nudes falsos de colegas de escola. O crime já afetou mais de 600 alunos em cerca de 90 instituições globalmente desde 2023, com 16 casos registrados no Brasil. As imagens manipuladas circulam rapidamente em grupos de mensagens, causando medo e impacto duradouro nas vítimas.
Ameaça Crescente em Ambientes Educacionais
Adolescentes estão recorrendo a aplicativos de "nudificação" baseados em IA generativa para criar imagens sexuais explícitas de seus colegas. Fotos extraídas de redes sociais como Instagram e Snapchat são processadas por esses aplicativos, resultando em montagens hiper-realistas que são disseminadas em grupos de WhatsApp e Telegram de escolas. O levantamento inédito da WIRED e Indicator aponta que o crime já atingiu mais de 600 alunos em aproximadamente 90 instituições em 28 países, incluindo 16 vítimas no Brasil. A facilidade de uso desses aplicativos eliminou a necessidade de conhecimento técnico para a criação do conteúdo falso, tornando o abuso mais acessível. Em muitos casos, os autores das montagens são meninos adolescentes, impulsionados por curiosidade, vingança ou desafios entre colegas.
Impacto e Disseminação dos Deepfakes Sexuais
Os deepfakes sexuais, definidos como imagens ou vídeos de nudez criados com IA generativa sem consentimento, podem ser inteiramente sintéticos ou manipular fotos reais. A disseminação rápida dessas montagens em grupos de mensagens entre colegas de escola é uma característica marcante do abuso. Uma pesquisa da UNICEF estima que 1,2 milhão de crianças tiveram deepfakes sexuais criados com suas imagens apenas no último ano. Na Espanha, uma em cada cinco crianças relatou a criação de nudes falsos com sua imagem. As vítimas expressam um profundo medo de que essas imagens circulem indefinidamente, causando um impacto psicológico e social significativo em suas vidas.