Wall Street trata IA como investimento defensivo em meio a incertezas econômicas, aponta Goldman Sachs
Investidores estão voltando a apostar em ações de inteligência artificial (IA) como uma estratégia defensiva diante de temores inflacionários, alta nos preços do petróleo e desaceleração do crescimento econômico. Segundo Shawn Tuteja, da Goldman Sachs, a demanda por IA é vista como 'inelástica', resistente a flutuações macroeconômicas. O próximo foco de investimentos pode ser em sistemas de resfriamento líquido para data centers, essenciais para suportar a crescente demanda energética da IA.
IA como refúgio em cenário econômico desafiador
Em um movimento contrário às expectativas do início de 2026, quando se previa um ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve e um fortalecimento de setores cíclicos como construção civil e indústrias, os investidores redirecionaram seus recursos para empresas ligadas à inteligência artificial. Shawn Tuteja, responsável pela divisão de volatilidade de ETFs e cestas personalizadas do Goldman Sachs, destacou em podcast que a percepção de que a demanda por IA é 'inelástica' — ou seja, menos sensível a variações econômicas — tem impulsionado essa rotação. 'Estamos vendo uma rotação massiva de volta para os hyperscalers e para as ações de IA, pois as pessoas veem essa narrativa como uma demanda mais resiliente, capaz de suportar fatores que afetam os consumidores', afirmou Tuteja.
Capex recorde e foco em infraestrutura crítica
Os hyperscalers — grandes empresas de computação em nuvem como Amazon, Microsoft e Google — devem investir cerca de US$ 755 bilhões em despesas de capital (capex) em 2026, um aumento de 38% em relação ao ano anterior. Esse volume de investimento tem sustentado os resultados positivos das fabricantes de semicondutores, que superam expectativas trimestrais. 'É por isso que os lucros dos semicondutores sempre superam as previsões: há tanto capex entrando nesse setor', explicou Tuteja. Além disso, a próxima onda de investimentos pode se concentrar em sistemas de resfriamento líquido para data centers, uma necessidade crítica para lidar com o consumo energético crescente dos servidores dedicados à IA.