Ataques de 'password spraying' saltam 15.400% no primeiro semestre de 2026
O número de ataques de 'password spraying' (pulverização de senhas) cresceu 155 vezes no primeiro semestre de 2026, atingindo um aumento de 15.400%. A tática, que utiliza um método de 'baixo e devagar', consiste em testar poucas senhas comuns em uma lista extensa de usuários para evitar alarmes de segurança. O crescimento foi impulsionado por uma campanha voltada ao Azure CLI, onde foram mapeadas mais de 81 milhões de tentativas de conexão em apenas duas semanas. O sucesso dos invasores deveu-se ao uso de protocolos antigos, como o Resource Owner Password Credentials (ROPC), que não exigem autenticação de dois fatores (MFA). Especialistas alertam que a solução definitiva é desativar protocolos de login obsoletos e garantir que o MFA seja aplicado a todos os usuários e painéis de controle, sem exceções.
O que é password spraying
Diferente do ataque de força bruta tradicional, onde um robô tenta milhares de combinações em uma única conta até bloqueá-la, o 'password spraying' foca em volume e discrição. Os criminosos selecionam uma lista de nomes de funcionários e testam senhas comuns (como '123456' ou termos sazonais). Como as tentativas são distribuídas por vários logins de forma espaçada, os sistemas de defesa muitas vezes não identificam a atividade como um ataque concentrado.
A vulnerabilidade do protocolo ROPC
A principal brecha explorada pelos invasores foi o uso do protocolo Resource Owner Password Credentials (ROPC). Criado para facilitar a transição de sistemas antigos para a web moderna, ele não suporta telas interativas de autenticação em duas etapas. Quando a senha coincide, o sistema libera o acesso direto, permitindo que os invasores assumam a identidade do usuário e ignorem as barreiras de segurança que normalmente exigiriam uma confirmação no celular ou por outro meio de segurança.
Falhas na configuração de MFA
A investigação da Huntress Labs revelou que, mesmo em empresas que possuíam autenticação em duas etapas (MFA), a configuração era falha. Em muitos casos, a proteção era aplicada apenas a cargos de alta gestão, deixando funcionários comuns vulneráveis. Em outros, o sistema não cobria painéis remotos de comando ou redes consideradas de 'confiança'. Além disso, algumas redes foram programadas para ignorar verificações em conexões locais, brecha que foi explorada pelos criminosos ao mascararem a localização de seus dispositivos.
Medidas de segurança recomendadas
Especialistas em segurança cibernética enfatizam que a configuração de acesso condicional é uma ferramenta poderosa, mas exige calibração constante para não prejudicar o fluxo de trabalho legítimo. Para combater a tática de pulverização de senhas, as empresas devem: 1. Desativar protocolos de login antigos e obsoletos; 2. Restringir o acesso a paines de controle apenas para funcionários que realmente necessitem deles; 3. Exigir autenticação em duas etapas para todos os usuários e programas, sem exceções de 'confiança' ou de cargo.