Justiça determina compartilhamento de extratos bancários em investigação sobre superfaturamento na prefeitura de Sorocaba
A Justiça de Sorocaba (SP) determinou o compartilhamento dos extratos bancários da empresa AFF Empreendimentos Imobiliários e Participações com a promotoria criminal de São Paulo, que investiga o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). A decisão envolve a compra de um prédio na zona sul da cidade, com suspeita de superfaturamento de R$ 10 milhões. O imóvel, adquirido por quase R$ 30 milhões, foi inicialmente avaliado em cerca de R$ 19 milhões.
Contexto da investigação
A decisão judicial, datada de 9 de maio de 2026, rejeitou o pedido da empresa AFF Empreendimentos Imobiliários e Participações para manter os documentos financeiros em sigilo. O caso está relacionado à compra de um prédio destinado à Secretaria de Educação de Sorocaba, localizado no bairro Portal da Colina, região do Campolim. A transação ocorreu em 2021, no primeiro ano da gestão do prefeito Rodrigo Manga, e é alvo de uma ação popular movida por um morador da cidade. O Ministério Público aponta indícios de superfaturamento na negociação, que teria gerado uma diferença de aproximadamente R$ 10 milhões entre o valor avaliado e o valor pago.
Desdobramentos judiciais
O juiz Alexandre de Mello Guerra acolheu o pedido da Promotoria de Justiça da Competência Originária Criminal, órgão responsável por investigar autoridades com foro por prerrogativa de função, como prefeitos. A promotoria solicitou o compartilhamento digital dos extratos bancários para aprofundar as investigações. Anteriormente, o caso já resultou em condenações de dois ex-secretários municipais, um engenheiro aposentado e dois empresários por corrupção e fraude em duas instâncias judiciais. Rodrigo Manga, no entanto, não é citado nessas condenações. O processo agora segue para as alegações finais, com prazo de 10 dias para manifestações sobre um parecer técnico de engenharia juntado aos autos.