Sanções econômicas causaram 38 milhões de mortes desde 1971, aponta estudo
Estudo do Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR) e pesquisa publicada na revista The Lancet revelam que sanções econômicas impostas por Estados Unidos e União Europeia resultaram em 38 milhões de mortes entre 1971 e 2021. Mais da metade das vítimas eram crianças menores de cinco anos. O uso de sanções cresceu exponencialmente, atingindo um terço da economia global atualmente.
Impacto humanitário das sanções
Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, as sanções internacionais foram adotadas como alternativa menos letal à guerra convencional, mas estudos recentes demonstram seu impacto devastador. Pesquisa do Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR), de 2023, estima que 38 milhões de pessoas morreram em decorrência de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia entre 1971 e 2021. Outro estudo, publicado na revista The Lancet em 2025, analisou os efeitos dessas medidas em 152 países e constatou que sanções unilaterais causaram 564.258 mortes anuais, totalizando 28 milhões em cinco décadas. Quando consideradas todas as modalidades de penalidades, o número salta para 776.610 mortes por ano, com mais da metade das vítimas sendo crianças menores de cinco anos.
Evolução e abrangência das sanções
Durante a Guerra Fria, as sanções eram majoritariamente comerciais e direcionadas a países envolvidos em disputas geopolíticas, como Cuba e Coreia do Norte. Nos anos 1990, surgiram as 'sanções inteligentes', projetadas para atingir alvos específicos e poupar a população civil, excluindo bens essenciais e medicamentos das restrições. No entanto, nos últimos 15 anos, o uso de sanções pelas potências ocidentais cresceu exponencialmente. Na década de 1960, países sancionados representavam 5% da economia global; na década de 2010, o índice chegou a 25%. Atualmente, um terço da economia mundial provém de nações sob algum tipo de penalidade.