Político da UE desvia debate sobre 'Stop Killing Games' com discurso contra 'wokeness' em jogos
O Parlamento Europeu discutiu a responsabilidade das publishers em manter jogos online após a venda, mas o político eslovaco Milan Uhrik desviou o debate ao criticar a inclusão de personagens diversos em títulos como Assassin’s Creed Shadows. Uhrik alegou que a 'ideologia woke' e a 'correção política' estariam destruindo os games, ignorando o foco da discussão: o movimento 'Stop Killing Games', que questiona o desligamento de servidores de jogos já comprados pelos jogadores.
Contexto do debate e desvio de foco
O Parlamento Europeu iniciou uma discussão sobre o movimento 'Stop Killing Games', que defende a manutenção de servidores de jogos já vendidos aos consumidores. A pauta surgiu após a Ubisoft desligar os servidores de *The Crew*, levando o criador do movimento, Ross Scott, a questionar a legalidade dessa prática. A associação Video Games Europe argumentou que as propostas do movimento tornariam a produção de jogos 'proibitivamente cara'. No entanto, o político eslovaco Milan Uhrik desviou o debate ao criticar a indústria por supostamente impor 'ideologia woke' e 'correção política' nos jogos.
Críticas a *Assassin’s Creed Shadows* e reações
Uhrik citou *Assassin’s Creed Shadows* como exemplo de 'wokeness' na indústria, alegando que jogadores não deveriam ser 'forçados' a jogar com personagens negros, femininos ou queer. O jogo apresenta Yasuke, um samurai histórico de origem africana que viveu no Japão no século XVI, e Naoe, uma personagem fictícia. A Ubisoft já havia reconhecido que a polêmica em torno de Yasuke contribuiu para o adiamento do jogo. A fala de Uhrik ignora o fato de que *Shadows* oferece dois protagonistas, incluindo um personagem japonês tradicional, e que a representação histórica de Yasuke é documentada.
Posicionamento da indústria e próximos passos
A Video Games Europe, associação que representa a indústria de jogos na UE, afirmou que as propostas do 'Stop Killing Games' limitariam a liberdade criativa e financeira dos desenvolvedores. Enquanto isso, a Ubisoft, em reunião de acionistas em 2025, defendeu que os jogos são produtos dinâmicos e que manter servidores ativos indefinidamente não é viável. O debate no Parlamento Europeu continua, mas a intervenção de Uhrik destacou como pautas culturais podem ofuscar discussões técnicas e de direitos do consumidor.