Guerra no Oriente Médio eleva projeção de inflação para 4,8% em 2026 e pressiona juros no Brasil
Analistas do mercado financeiro revisaram para cima a projeção da inflação oficial (IPCA) em 2026, passando de 4,71% para 4,80%, superando o teto da meta de 4,5%. A intensificação do conflito no Oriente Médio é apontada como um dos principais fatores para o aumento das expectativas. A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, deve encerrar 2026 em 13%, segundo o Boletim Focus do Banco Central.
Inflação e metas
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi elevada para 4,80%, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%. Desde 2025, o sistema de meta contínua define o objetivo de manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 permanecem em 3,60% e 3,50%, respectivamente. A inflação em alta reduz o poder de compra da população, especialmente entre os trabalhadores de menor renda, uma vez que os salários não acompanham o aumento dos preços.
Taxa Selic e perspectivas econômicas
Apesar do aumento nas projeções de inflação, o mercado financeiro ainda espera uma redução na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 14,75% ao ano. A expectativa é que a taxa encerre 2026 em 13% ao ano. O primeiro corte nos juros em quase dois anos foi autorizado na semana anterior pelo Banco Central. A manutenção de juros elevados impacta diretamente o crédito e o consumo, podendo desacelerar a economia.