Artesão britânico causa polêmica ao presentear crianças com ouriços feitos de páginas de romance erótico
Um artesão do Reino Unido enfrentou críticas após presentear crianças com pequenos ouriços de papel confeccionados com páginas de 'The Fermata', romance erótico de Nicholson Baker. Pais relataram ter encontrado trechos explícitos nas peças, levando o caso à polícia local. O artesão afirmou que normalmente verifica o conteúdo dos livros doados, mas admitiu o erro.
Contexto e reações
O artesão, não identificado, costumava criar pequenos ouriços de papel a partir de livros doados, frequentemente para arrecadar fundos para instituições de caridade. Segundo o *The Guardian*, ele também distribuía as peças para crianças da região. A polêmica surgiu quando pais descobriram que algumas das criações continham páginas de *The Fermata* (1994), romance de Nicholson Baker conhecido por seu conteúdo sexual explícito e temáticas controversas, como voyeurismo e manipulação do tempo para fins eróticos. Michele Slung, em resenha publicada no *The New York Times* em 1994, descreveu o livro como 'uma aventura horripilante de um garoto que toca a carne proibida de donzelas insensíveis'. Alguns trechos das peças incluíam referências a idade de consentimento e violência, o que gerou indignação entre os pais. O caso foi levado à polícia de Merseyside, que, após conversar com o artesão, concluiu que não houve intenção maliciosa. O homem afirmou estar 'mortificado' pelo erro e que normalmente verifica as páginas antes de usá-las. Embora o incidente tenha causado alvoroço, outras crianças receberam ouriços feitos com páginas de livros menos controversos, como *The Walled Garden*, de Rosemary Enright. Uma mãe de uma criança de quatro anos declarou: 'Não acredito que houve qualquer intenção maliciosa'.
Sobre 'The Fermata' e a polêmica literária
*The Fermata*, lançado em 1994, é um dos romances mais polêmicos de Nicholson Baker. A obra narra a história de Arno Strine, um homem que descobre a habilidade de parar o tempo e usa esse poder para explorar fantasias sexuais, muitas vezes envolvendo mulheres inconscientes. O livro dividiu críticos: enquanto alguns elogiaram sua ousadia e originalidade, outros o criticaram por seu conteúdo considerado misógino e perturbador. Tom Bissell e Adam Mars-Jones, em análises contemporâneas ao lançamento, destacaram que o romance captura uma sexualidade masculina adolescente, o que pode explicar a inadequação do material para crianças. A polêmica envolvendo os ouriços de papel reacendeu debates sobre a responsabilidade de artesãos e criadores ao utilizar materiais doados, especialmente quando destinados ao público infantil.